04 – MUSEU CASA DO MILSON – McM – ARACATI – CEARÁ

Ano 13 (2026) – Número 1 Notícias

https://doi.org/10.31419/ISSN.2594-942X.v132026i1a4MESX

 

 

 

O trabalho como obrigação e dever, já o fiz. Agora estou no meu “ócio criativo”. Adaptado de De Masi (2000)

 

 

 

 

 

Milson Edmar da Silva Xavier

     McM, Aracati-CE, Brasil, milsonest@gmail.com

 

ABSTRACT

Transforming private spaces into a museum or a publicly visitable collection is not a simple task. The McM, Museu Casa o Milson, emerged from the conversion of a physical space originally designed for tourism related activities. The required adaptations consisted mainly of replacing the everyday furniture of a guesthouse with museum appropriate display structures, such as exhibition stands, showcases, glass cabinets, and display counters, in order to house a collection organized into two sections: personal objects and natural sciences. Aracati, on the eastern coast of the state of Ceará, despite its strong vocation for beach tourism, also carries a historical legacy linked to the cotton trade, jerky production, and navigation, reflected in the Portuguese tiled townhouses of its historic center. Thus, the “land of good winds”, as the city of Aracati is affectionately known, provides the ideal setting to foster the McM.

 

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem o intuito de divulgar a história de um espaço físico que fora adquirido, projetado e construído, nos idos do Plano Real (em URV, 1994), para abrigar foliões paraenses no Período de Momo, em Aracati, e sua posterior transformação em Museu Casa do Milson – McM.

De uma necessidade de fuga do estresse laboral, em um final de semana em Algodoal-Maracanã-PA, surge a ideia de construção de uma pousada para o distante período de gozo da aposentadoria, seja para complementar os proventos mensais e/ou para melhorar a qualidade dos anos finais de vida.

Constatada a exclusão da primeira hipótese (complementação de renda), o direcionamento é no sentido da qualidade de vida com a possibilidade de transformação do espaço físico em um museu que possa reunir um acervo com objetos pessoais e alguns minerais, minérios e rochas, acumulados ao longo de anos.

O McM está inserido na comunidade de Aracati-CE, musealizando objetos, artefatos e amostras geológicas (minerais, minérios e rochas) para passar informações fidedignas, estimulando conhecimento, registro e memória.

 

A DIFÍCIL RELAÇÃO CAPITAL X TRABALHO E A VIAGEM À VILA DE ALGODOAL, MARACANÃ-PA

No início da vida laboral (1979), empregado de uma empresa de economia mista, em Belém-PA, a aposentadoria já era vislumbrada como aquele período da vida em que o tempo disposto ao patrão (governo ou empresário) já não era mais necessário por devido cumprimento legal do dever ou obrigação. Eu estava ingressando na vida do trabalho e como poderia já pensar em aposentadoria? Esse foi o meu sentimento como jovem e, certamente, continua após sete anos na condição de aposentado, ainda mais após a leitura da obra “O Ócio Criativo” de Domenico De Masi (2.000).  Essa vontade de já nascer aposentado era generalizada, mas poucos detinham esse privilégio de nascer em “berço esplêndido”. Então, o pobre mortal tinha de se contentar com a expressão bíblica dirigida a Adão: “A partir de hoje comerás com o suor do teu rosto” (Gênesis 3:19). Era o fardo que me competia. Então, restava-me realizar minhas atividades (trabalho real) de acordo com as tarefas (trabalho prescrito pela empresa). Não tem consequências piores à saúde mental do trabalhador que cumprir manual de procedimentos rígidos impostos pela empresa e submissão às auditorias rigorosas sobre o cumprimento de tais tarefas. Esse era o clima na empresa. Atingia a todos indiscriminadamente e, mais ainda, quem detinha o manuseio de recursos monetários pois eu era o primeiro empregado a ser auditado no início da jornada de trabalho. Esse era o meu fardo como detentor de fundo rotativo.  A pressão psicológica era tamanha a ponto de jamais poder esquecer de fechar o cofre com os dois sistemas de segurança prescritos: chave e segredo. Caso abrisse o cofre somente com um procedimento, a suspensão era certa. Assim, após um desses períodos de pressão de auditores internos da empresa, resolvemos programar uma viagem, no final de semana seguinte, à Vila de Algodoal, município de Maracanã-PA. Pesquisamos, em lista telefônica, a existência de pousadas ou hotel na localidade. As informações levaram à pousada dos pais de um colega da empresa (Milton Vasques), onde se deu a estadia de final de semana. Vendo aquela vida dos idosos ao receber apenas hóspedes indicados por pessoas conhecidas ou familiares, a boa inveja floresceu: é isso que eu quero para a minha aposentadoria – dizia na época. Aqui o agradecimento pela agradável companhia aos demais integrantes da viagem: Cleuza Vaz; Sandra Coutinho e Tarcísio Franco;

 

POR QUE ARACATI? – PLANEJANDO A POUSADA NA “TERRA DOS BONS VENTOS” PARA A APOSENTADORIA

A cada ano de trabalho, a partir de sua data de admissão, o trabalhador tem direito a trinta dias de férias trabalhistas, variando para menos a depender do número de faltas nesse período aquisitivo. Cheguei, enfim, a esses trinta dias almejados e, no intervalo para almoço da última sexta-feira antes do início do gozo de férias, encontrei o irmão de minha mãe, tio João Camilo Neto, almoçando com ela em nossa casa. Fui apresentado a ele por minha mãe, pois ele nunca estivera em Belém e eu nunca no Ceará. Ele era caminhoneiro e teria vindo ao Pará, a pedido do meu irmão Ivo Xavier, com uma carga de telha de barro para cobertura da casa de seu sítio em Marituba, o que já teria feito e estava almoçando para retornar ao Aracati-CE, como dizia. Perguntei se poderia retornar após às 18:00h, pois assim poderia ir com ele, no caminhão. Prontamente se dispôs a esperar. Viajamos por três dias e me encantei pela “terra dos bons ventos” já na chegada. Outros encantos também se sucederam ao conhecer essa cidade, o que culminou com a escolha da cidade para este projeto de vida.

O CARNAVAL DE 1994, EM ARACATI, E A AQUISIÇÃO DO IMÓVEL PARA A POUSADA: O INÍCIO DA CONCRETIZAÇÃO DE UM SONHO

Já desligado da empresa de economia mista, por iniciativa própria, e concursado em cargo público no Governo do Estado do Pará, fiquei impedido de me ausentar do estado devido atribuições indelegáveis e inadiáveis no Período de Momo, em 1994. Solicitei ao irmão Francisco Xavier (cognome Tabajara), em viagem para o melhor carnaval do Ceará – Aracati, que procurasse um terreno que eu pudesse comprar. Com ajuda do tio João, encontraram uma área de mais ou menos 900 m2 em área de futura expansão da cidade (figura 1), o que se concretizou conforme as previsões do sábio tio. Tramitado e concluído o processo de aquisição junto ao cartório do município, em março do mesmo ano, no valor corresponde a +/- 600 URVs, em plena transição do REAL, começamos as obras para o carnaval do ano seguinte. Há de se registrar que o irmão Tabajara entrara na sociedade da empreitada no início das obras, mas desistiu em seguida sendo indenizado pela parte acrescida com o recebimento do veículo VW Voyage de minha propriedade. A incumbência de acompanhar o andamento das obras ficou a cargo do generoso tio João que assim procedeu até o período do carnaval de 1995, ocasião em que a estrutura de pousada ficara parcialmente completa, pois não havia reboco das paredes, nem externas e nem internas, mas nada que comprometesse o recebimento de jovens hóspedes paraenses, interessados exclusivamente no famoso carnaval de Aracati. As obras da planta baixa, por mim elaborada, foram concluídas no prazo e condições acertadas, ou seja, sem rebocos mas com saneamento, elétrica e hidráulica em perfeitas condições de funcionamento para receber os usuários procedentes de Belém-PA, em ônibus de turismo, constituídos de parentes, amigos da Geologia da UFPA, do Serviço Público e vizinhos, totalizando +/- 50 passageiros para acomodação em seis suítes, quatro com ar condicionado e duas com ventilador, uma sala de 24 m2, com um banheiro, coluna central com inúmeros armadores de rede para acomodação de +/- oito pessoas, e a garagem para o ônibus com 90 m2. Aos pioneiros dessa aventura carnavalesca, com muito mela-mela, meus agradecimentos pela confiança, coragem e tolerância aos carapanãs que eles trouxeram, porque em Aracati só tem muriçoca e elas estavam ameaçadas a não os incomodar. Outro agradecimento que eu não poderia deixar de externar é à minha mãe (in memoriam) pela confecção do enxoval (lençol, cobertor de cama e fronha para travesseiro) utilizado nessa primeira aventura. Ainda guardo algumas peças. Também tenho o dever de agradecer aos filhos e esposa pela compreensão em aceitar a realização de um sonho pessoal.

 

Figura 1 – Terreno localizado na Rua Coronel Pompeu,1481, medindo 6,00m x 156m. Detalhe do início das obras.

 

DE POUSADA A MUSEU – A ADAPTAÇÃO PARA O ÓCIO CRIATIVO

A ideia de transformar a Casa do Milson em Pousada Açaí veio da necessidade de manter a ocupação durante todo o ano, mas fora abandonada por várias razões, entre elas a promissora adequação do espaço físico para museu.

Constatada a possibilidade, surge o McM-Museu Casa do Milson com acervo de objetos pessoais coletados e recebidos em doação de vários parentes, mas principalmente do Ivo Xavier da Silva, um de meus muitos irmãos. Além desses objetos, a coleção conta com uma seção de amostras geológicas (minérios, minerais e rochas), com imensa colaboração e algumas doações do Prof. Marcondes Lima da Costa. A colaboração a que me refiro diz respeito às participações em viagens pitorescas/científicas sob sua coordenação, ocasião em que foi possível coletar amostras de minérios, minerais e rochas para o acervo do museu.

 

AS COLEÇÕES DO MCM

Considerando a participação de importantes “mantenedores iniciais”, resolvi dividir o McM em duas coleções: Coleção Dr. Ivo Xavier da Silva (Histórica – Objetos pessoais) e Coleção Dr. Marcondes Lima Costa (Ciências Naturais – Geologia)

 

A Coleção Dr. Ivo Xavier da Silva (Histórica – Objetos pessoais) 

Ambiente: Sala Rose Xavier (Teca)

Esta coleção reúne um acervo de objetos pessoais contendo instrumentos, ferramentas, mercadorias, vasilhames que remetem à mercearia com nome de fantasia “Casa São José”, registrada na firma R.I Silva Ltda, CGC nº 04.950.754/0001-xx, de onde meus pais Antônio Ivo Xavier e Raimunda Ivo da Silva labutaram no pequeno varejo para sustentar e dar condições de educação formal à prole de 11(onze) filhos, sendo 9 (nove) deles cearenses e agraciados pela diáspora nordestina rumo à Belém do Pará. Eu sou um dos dois filhos nascidos em terras paraenses e Waldíria da Silva Xavier a outra paraense, daí a assertiva de que “voltei sem ter ido”, pois o McM está localizado na cidade de Aracati-CE, onde divido a residência entre Belém e Aracati.

Além dos objetos vinculados à mercearia, fonte de renda da família por longos anos, vários outros têm relação com a vida e/ou atividades profissionais dos demais irmãos. Alguns dos objetos pessoais da coleção têm seu significado familiar. Começando pela mais velha Fátima Xavier, o acervo foi agraciado com doação de um abajur de louça recebido por ocasião de seu matrimônio com Agostinho Alencar em 1962, registrado em fotografia dos nubentes com meu pai, eu e a Mara, colega de escola do então Curso Primário no Grupo Escolar José Bonifácio, em Belém, e filha de uma vizinha chamada D. Arminda. Outra peça do acervo doada por Fátima é uma máquina de costura, marca Singer, acionada por manivela, anteriormente pertencente a uma amiga dela de nacionalidade francesa. Na sequência, Francisco Xavier é representado no acervo pela existência de um antigo barril em madeira e de um microscópio biológico que faz alusão a sua atividade profissional de citotécnico, além da doação de uma prensa e uma máquina de datilografia elétrica. O terceiro dos irmãos é Ivo Xavier, a quem é dedicada a denominação da coleção pelas inúmeras peças doadas ao acervo do McM, com destaque para uma coleção de relógios e canetas antigas, inúmeras filmadoras, aparelhos celulares, câmeras digitais, quadro a óleo com a gravura do Bar do Parque – Belém-PA, gramofone com discos de vinil (figura 2) e muitos outros objetos. A Walmira Xavier é a quarta na relação dos irmãos e sua contribuição ao McM pode ser resumida em um conjunto de peças de bronze para moldagem de tecidos engomados para a confecção de flores artesanais, além de todos os documentos pessoais de nossa mãe.  Os dois últimos irmãos cearenses são Ilson Xavier e Nilson Xavier que, juntamente com Francisco Xavier estão representados pelo microscópio biológico já citado.  A irmã paraense Waldíria Xavier entregou como doação ao McM a última máquina de costura utilizada por nossa mãe.

 

Figura 2 – Gramofone marca Victrola, adquirido em Mossoró-RN

 

 

Outros objetos que compõem o acervo da Coleção Dr. Ivo Xavier foram doados pelo sobrinho Bruno Xavier, em destaque os da era digital como o Laptop PC-XT da MICRODIGITAL modelo LT1600 e um Microcomputador Microtec MF 88 com monitor Videocompo VDC 901.  Na mesma seção de informática, o acervo foi agraciado com a inclusão de um computador pessoal Macintosh SE FD HD (1987), gentilmente cedido ao McM pelo Prof. Dr. Moacir Macambira (figura 3). Na mesma linha, o acervo reúne objetos que se tornaram obsoletos face a rápida evolução da tecnologia digital, sendo substituídos, em sua maioria, pela multifuncionalidade dos smartphones, serviços de armazenamento em nuvem e streaming, com destaque para aparelhos de fax; máquinas fotográficas analógicas e digitais ; MP3 players e discmans; GPS automotivo; filmadoras domésticas; disquetes(51/4 e 31/2 polegadas) e CDs/DVDs; orelhão (telefone público) gentilmente doado pelo sobrinho Rômulo Xavier (figura 4);  celulares analógicos e digitais anteriores aos smartphones; rádio/relógio despertador, fones de ouvido com fio;  Vale destacar aqui a contribuição de Agostinho Alencar com a doação de um aparelho de fax e toca fita cassete; de Ivo Xavier com dois disquetes de 51/4 polegadas; do casal Wilson e Neryrose com máquinas fotográficas polaroid instantânea (figura 5); do casal Waldíria e José Raimundo com máquina fotográfica digital e  relógio de parede com mecanismo à corda e sem pêndulo; do casal Mateus Xavier e Aline Aya com máquina fotográfica com filme de rolo de 1960 (figura 6); de Walmira Xavier aparelho DVD com tela;  do sobrinho Felipe Xavier um relógio de parede com mecanismo à corda e pêndulo (figura 7); de Fábio Xavier uma câmera digital, vitrola portátil e alguns discos de vinil.

 

Figura 3 – CP Macintosh SE FD HD doado Porf Dr. Moacir Macambira

 

Figura 4 – Orelhão (telefone público) doado por Rômulo Xavier.

 

 

Figura 5 – Máquina fotográfica Polaroid doada pelo casal Wilson Lopes e Neryrose Alencar.

 

 

Figura 6 – Máquina fotográfica a rolo, marca Kodak, modelo Brownie Flash II, ano 1960, doado pelo casal Mateus Xavier e Aline Aya.

 

Figura 7 – Relógio de parede, à corda e pêndulo, doado pelo casal Felipe Xavier e Cássia Oliveira.

 

Além das seções anteriores, o acervo do McM conta com outros objetos pessoais, gentilmente doados por grandes amigos com destaque para Benedito Santos com duas colunas artesanais feitas de gesso; Nair Miralha com uma armação de ferro de máquina de costura de marca Mercswiss, pertencente a sua mãe, sra. Sebastiana Miralha; Fernando Ribeiro de Freitas com uma armação de ferro de máquina de costura marca Singer; Valdeci Barbosa com a fotografia impressa da turma de foliões em frente ao ônibus da excursão procedente de Belém-PA, em 2007; Edilberto Lima com uma armação de ferro de máquina de costura sem marca, pertencente a sua avó sra. Judite Barbosa Lima, tia das “meninas”.  Esta doação envolve uma breve história fúnebre, paradoxalmente divertida:  certa vez, por ocasião do falecimento de sua tia-avó de 94 anos, irmã da Sra. Judite, o doador falou que precisava ir ao funeral da irmã de sua avó para dar um abraço nas “meninas”, pelo que indaguei quais seriam essas meninas e ele respondeu que eram as filhas da falecida. De pronto comecei a rir ao imaginar que, no mínimo, essas herdeiras teriam 64 anos, considerando que a falecida tivesse sua última menina com 30 anos.

Continuando a descrever as doações de amigos, destaco Newton Costa doando um punhal decorativo em metal, pertencente ao seu pai Sr. Nazareno Costa; Prof. Dr. Raimundo Nonato do E.S. dos Santos uma xícara em louça da USP-Universidade de São Paulo, dando início ao recebimento de várias outras xícaras por familiares; do geólogo Luiz Cláudio Lima uma bússola de marcha tipo M-73, PAT-APPL (patente solicitada), prismática militar, britânica, pós Segunda Guerra Mundial (1960 a 1980), fabricação Francis Barker & Co e distribuição por J.H. Steward Ltd, de Londres.

Na seara de aquisição, construção ou guarda por este curador, o acervo conta com um curso em inglês em fitas de vídeo padrão VHS, aparelhos de vídeo cassete ou VCR(Video Cassette Recorder), toca fita automotivo fixo e removível, microcomputador pessoal CP-400 Itautec (figura 8), leitor de disquete externo, coleções temáticas de selos,  relógios antigos de pulso e bolso, gramofone, discos planos de vinil, TV analógica de 14 e 28 polegadas, impressora matricial e jato de tinta, máquina de datilografia manual portátil, máquina de datilografia manual, elétrica e eletrônica, corretivo líquido e em papel para datilografia, canecas de antigos festivais de chopp, mini tv portátil analógica, brinquedos infantis adquiridos e construídos para o acervo, formulários e disquetes para preenchimento e transmissão da Declaração de Imposto de Renda de anos anteriores ao programa digital da Receita Federal do Brasil (figura 9), entre muitos outros objetos que registram a trajetória de vida deste curador.

 

Figura 8 – CP-400, marca Prológica adquirido em 1985 na saudosa Y Yamada, com TV 14” e gravador de fita cassete como periféricos, além do Joystick e manual.

 

Figura 9 – Formulários da Declaração de IRPF de 1980 a 1997, utilizados antes da geração do programa da DIRPF. Utilização de disquete em 1997.

 

Quero aqui registrar a pecha de “acumulador” que devo ter recebido ao longo de minha vida ao juntar e adquirir todo esse acervo. A Psicologia trata esse comportamento como transtorno de acumulação, acreditando envolver uma combinação de fatores genéticos, ambientais e psicológicos e, ainda, que pode estar associado a outras condições de saúde mental, como transtornos de ansiedade e depressão, transtorno compulsivo de acumulação ou transtorno obsessivo-compulsivo. Certamente os verbetes a seguir resumem o que penso: “de acumulador e louco, todo mundo tem um pouco” e “falta visão de futuro ou planejamento antecipatório para os críticos desse transtorno”.  “o que seria dos museus se não houvesse acumuladores?”

 

A Coleção Dr. Marcondes Lima Da Costa (Ciências Naturais – Geologia – Mineralogia)

Ambiente: Sala Lu Xavier

O que dizer do Prof. Dr. Marcondes Lima da Costa? Uma breve pesquisa nos sites de busca encontraremos, entre tantos, mais um membro da Academia Brasileira de Ciências, mas, poucos, como pesquisador de nível 1A do CNPq.  O seu legado, especialmente como mineralogista e geoquímico com foco no intemperismo laterítico, o coloca entre os geólogos e acadêmicos de grande relevância no cenário científico brasileiro. Entre diversas distinções, recebeu o prestigiado prêmio Henri Gorceix concedido pela Sociedade Brasileira de Geologia (SBG). Seu currículo lattes é tão extenso que carece de espaço nesta apresentação. Portanto, a denominação de uma coleção no McM é mais do que justa e obrigatória, não somente pelo fato de sua história no ramo das Ciências Naturais, mas também pelo seu entusiasmo com as belezas de Aracati, fruto de inúmeras viagens à Terra dos Bons Ventos.  Por este motivo, o McM destina uma parte da Sala Rose Xavier ao homenageado, composta por exemplares de algumas de suas obras e amostras de minerais e rochas doadas ao McM (figura 10), sendo as mais recentes uma drusa de ametista de Iraí-RS (2023), um frasco com areia negra de Faial, com Olivina e Augita e um fragmento de pedra-pomes (rocha vulcânica) coletados, em 09/2023, em São Miguel, Ilha de Açores, Portugal, doadas em 2024 ao museu. Nela também encontramos sobre uma mesa duas amostras do perfil laterítico da praia de Baia do Sol, ilha de Mosqueiro, Belém-PA, coletadas durante minha visita ao seu “sítio-floresta” ou “Seringal Andiroba Forest”, na região.

 

Figura 10 – Espaço/mostruário em homenagem ao Prof. Dr. Marcondes L. Costa, com alguns exemplares de suas obras, minerais e rochas por ele doadas e amostras coletadas, em campo, sob sua coordenação.

 

Sobre essas coletas e doações de Portugal transcrevo abaixo o que Horta (2025) relata sobre o homenageado:

Marcondes, professor, geólogo, geoquímico, mineralogista e cientista, é um apaixonado pela química da terra. A sua vinda foi motivada pelo desejo profundo de estudar as entranhas vulcânicas de São Miguel. As falésias negras e as fumarolas não eram apenas paisagem, mas um laboratório a céu aberto. Ele carregava o peso dos seus títulos, mas a humildade foi a sua arma, sabendo que tinha trocado o estatuto pelo desconhecido, e a solidão da viagem era o preço a pagar.

Além desse espaço de honraria, o acervo geológico e mineralógico do McM foi subdividido em minicoleções representando algumas propriedades físicas e químicas dos minerais como hábito, dureza, densidade, fratura, morfologia (anédrico a euédrico), sistema cristalino, susceptibilidade magnética, diafaneidade, classe química, brilho, clivagem e cor macroscópica, organização essa quase comum em vários museus.  Além dessas, cabe destacar no acervo do McM uma coleção baseada em uma relação de 112 minerais propostos por James Dwight Dana (1969), desejáveis à época da proposta, em 1960 (figura 11). Em contraposição, o McM solicitou ao Prof. Dr. Marcondes uma nova relação de minerais, à luz de 2024, para criação de uma coleção de minerais que sejam desejáveis sob a égide dos conceitos de criticidade, estratégia e energia limpa (figura 12). Os dois acervos mostram muitas coincidências entre as duas relações, mas os minerais com Terras Raras da relação de 2024 estão ausentes na de 1960, fruto da era tecnológica dos dias atuais com seus smartphones demandando esses minerais. As duas minicoleções ficam dispostas lado-a-lado na parede lateral da sala denominada Lu Xavier, em prateleiras de vidro com porta de correr. Da mesma forma, na parede de fundo do mesmo ambiente, outra minicoleção se destaca, agora reunindo 410 amostras de minerais e rochas dispostas em ordem alfabética (figura 13). Essas três coleções são denominadas de minicoleção Dana (DAN), minicoleção Dr. Marcondes (MLC) e minicoleção ordem alfabética (OAL).

 

Figura 11 – Minicoleção DAN (Dana)

 

Figura 12 – Minicoleção MLC (Marcondes).

 

Figura 13 – Minicoleção OAL (Ordem Alfabética.

 

O acervo mineralógico/geológico do McM é composto também por várias outras minicoleções. Entre elas destaco a minicoleção AUT (Autor) construída com base na reunião de minerais que foram nomeados em homenagem a mineralogistas e personalidades históricas, aqui representados pelos minerais Andradita e Alexandrita e outros;  minicoleção CIP (Colônia e Império) reunindo minerais que, juntamente com ouro e diamante, impulsionaram a economia desses períodos, com destaque para o Salitre na confecção de pólvora após o ciclo do ouro e do diamante (figura 14);  minicoleção CHD (Chapada Diamantina) reunindo minerais encontrados em uma peça de artesanato adquirido no município de Barreiras-Bahia;  minicoleção GNA  (Gnaisse) reunindo os minerais essenciais e acessórios encontrados em mesa de centro adquirida em Belém-PA;  minicoleção CPRM (Serviço Geológico do Brasil) reunindo os minerais encontrados em um jogo educativo de 40 cartas ilustradas com foto e propriedades físicas do mineral estudado; minicoleção CCR (Cristaleiras) composta por minerais com as seguintes características:  cores fortes e vibrantes, brilho intenso, faces bem formadas, geometria bem definida, raridade, em forma de drusas, cristal cravado em rocha matriz, tamanho, sensibilidade à luz e higroscopia, procedentes do exterior e/ou doados ao McM (figura 15).  Contém também alguns fósseis e representantes da biodiversidade marinha coletados na praia de Canoa Quebrada-CE; minicoleção CJB (José Bonifácio) composta por minerais reunidos com base em suas descobertas (Escapolita, Criolita, Petalita, Espodumênio), de suas viagens pela Europa/Brasil: Diamante, Epidoto, Pirita, Azurita, Piroxênio (Augita), Apofilita, Turmalinas (Indicolita e Schortita) , Granada e Wernerita, e ainda denominado em sua homenagem (Andradita). Esses e inúmeros outros minerais estão expostos em galeria denominada José Bonifácio de Andrada e Silva, no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra – Portugal, em homenagem ao eminente mineralogista brasileiro; minicoleção CBR (Banca de Revista) reunindo amostras de  minerais e rochas acondicionadas em caixinhas acrílicas, adquiridas semanalmente ao longo de anos na década de 1980 em banca de revistas; minicoleção CCM (cor macroscópica) composta por minerais idiocromáticos, alocromáticos e pseudocromáticos, com o  objetivo de demonstrar que a cor de um mineral pode ser, em pouquíssimos casos, reveladora para o diagnóstico de um mineral como a malaquita e a rodonita, por exemplo. Outra minicoleção criada no acervo da geologia é a denominada FMI (minicoleção Falsos Minerais). Apesar da denominação, a minicoleção reúne sim, alguns minerais genuínos, entretanto estes foram alterados pela ação humana através de processos físicos e/ou químicos. Como exemplo citamos as ágatas de cor margenta, verde e azul. Estas são ágatas genuínas que, por tingimento (ácidos e corantes orgânicos), adquirem essas cores para torná-las mais atraentes. Isto ocorre também com geodos coloridos disponíveis no mercado. Da mesma forma, a howlita de tonalidade branca com veios acinzentados é comercializada na cor azul devido o mesmo processo de tingimento. Já por processo de aquecimento, a ametista autêntica é transformada em citrino, mantendo as características de mineral.   Em contraposição, encontramos produtos artificiais que o mercado utiliza para impulsionar suas vendas junto a seus clientes desavisados. É o caso de uma resina verde que é vendida como malaquita; vidros fabricados e vendidos como obsidianas (vidro vulcânico); resina artificial vendida como feldspato (Opalina-Pedra da Lua), âmbar e turquesa; cristais sintéticos de bismuto; entre outros. Portanto, apesar da denominação de falsos minerais a minicoleção FMI reúne minerais que não são mais essencialmente naturais, além de reunir também produtos sintéticos (diamante) e artificiais (figura 16).

 

Figura 14. -Minicoleção CIP (Colônia e Império).

 

 

Figura 15 – Minicoleção CCR (Cristaleiras).

 

Figura 16 – Minicoleção FMI (Falsos minerais), com destaque para o mineral quartzo (ágata) tingido de azul.

 

A minicoleção MVE (Minerais verdes) reúne minerais que apresentam uma cor macroscópica em tonalidades do verde, podendo envolver quaisquer minerais descritos como, por exemplo, azul esverdeado, amarelo esverdeado, raramente verde etc. (figura 17).  A metodologia adotada envolveu pesquisa no site www.mindat.org, procurando por propriedades, selecionando apenas minerais aceitos pela IMA, de cor verde e diafaneidade transparente, translúcido ou opaco. Observar que alguns minerais podem apresentar as três características para a mesma espécie, como por exemplo a barita, wulfenita, albita, zircônio e muitos outros. Neste caso, optamos por selecionar individualmente cada propriedade, na seguinte ordem: opacos verdes, transparentes verdes e translúcidos verdes para depois excluir as repetições, chegando ao resultado de 656 espécies minerais translúcidas verdes, 389 transparentes verdes e 62 opacas verdes, totalizando 1.107 minerais verdes de um universo de 5.127 minerais aceitos pela IMA, o que corresponde a 21,6 % de espécies minerais verdes, esverdeados e raramente verdes.

 

Figura 17 – Minicoleção MVE (Minerais verdes).

 

Assim, a minicoleção MVE do acervo do McM conta, atualmente (2026), com 45 espécies minerais verdes de um universo de 319 espécies minerais de variadas cores, representado 14,1% do acervo mineralógico do McM, Portanto, abaixo do percentual desejado para a complementação da minicoleção. Da mesma forma, a maioria das minicoleções citadas carece de complementação, o que demonstra a dinâmica da atividade museológica.

Vale ressaltar que a ideia de criação de uma minicoleção minerais verdes (MVE) no McM, em nada tem de congruência ou semelhança com o termo “minerais verdes” utilizado pela Agência Internacional de Energia quando lista os recursos para transição verde: lítio, cobalto, nióbio, níquel, manganês, elementos terras raras, platina e cobre. Esses recursos têm expectativas de crescente demanda face a necessidade de suprimento às indústrias de alta tecnologia, defesa e energia limpa (carros elétricos, painéis solares, smartphones), apesar dos gargalos do conceito de criticidade mineral (vulnerabilidade e demanda). Desta forma, o McM não pode se furtar em construir uma minicoleção para registrar mais uma, entre tantas, época de modismo de organização da produção (Taylorismo, Fordismo, Toyotismo, 5S, ESG). Para tanto, a minicoleção XXI (século 21) representa a reunião desses recursos acima como forma de registro do pensamento dominante da época.

Oportuno registrar também as minicoleções de minerais que têm a aplicação fora do escopo da indústria, ciência e comércio de gemas (pedras preciosas e semipreciosas). Trata-se da minicoleção TML (tradições, mitos e lendas) que reúne minerais historicamente ligados à magia, astrologia, alquimia e simbolismo religioso. Sobre este último, são frequentes passagens bíblicas fazendo referência aos minerais como em Ezequiel 28:13 = Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio (quartzo?), diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira (lápis-lazúli?), carbúnculo (granada? ou cornalina?), esmeralda (aventurina?) e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados. Na Idade Média, a enciclopédia de Plínio, o Velho, do século I, exercia grande influência sobre o pensamento científico da época. Nela havia descrição detalhada das gemas com suas propriedades mágicas e medicinais. Segundo crenças antigas as guerras, invasões e batalhas eram planejadas segundo previsões dos astrólogos; os casamentos só dariam certo segundo a compatibilidade dos signos do casal; os minerais e gemas tinham propriedades de cura tão eficazes quanto as plantas, como por exemplo a ametista moída para curar ressaca, ágata moída com vinho para curar ferimentos expostos, safiras com leite para acalmar cólicas intestinais. Da mesma forma, os minerais têm sido usados como talismã e amuletos como forma de evitar o infortúnio ou o mal. No Egito Antigo, amuletos em forma de escaravelho eram colocados em falecidos para garantir proteção contra forças negativas. Da região Tapajônica (Santarém-PA) provém um amuleto em forma de rã (Muiraquitã), esculpido em pedras verdes duras, como quartzo, nefrita e amazonita, simbolizando sorte, felicidade e proteção contra doenças.

ORIGEM, REGISTRO E CATALOGAÇÃO DE AMOSTRAS GEOLÓGICAS E OBJETOS PESSOAIS

Cabe aqui esclarecer a forma de registro e catalogação adotada pelo McM. Antes, porém, devo ressaltar que as amostras mineralógicas tiveram origem através de formas de aquisição como compras diretamente em lojas físicas especializadas como M. Adriane em Goiânia, LP Minerais em São Paulo, diversas lojas no centro comercial (25 de Março) e bairro da Liberdade, em São Paulo, além de sites especializados em minerais como G. Minerais, The Naturalist, GeologiaBr, diversos vendedores no Mercado Livre e OLX.  Outras aquisições foram realizadas diretamente com pessoas físicas através de anúncios na rede mundial de computadores. As importações realizadas para o acervo ficaram restritas aos sites da Aliexpress, Ebay, Shopee, Mikon Shop, Maclaminerals, Mineralprix. Além das aquisições o acervo conta também com doações de parentes e amigos, especialmente do filho Mateus Xavier (geólogo), com amostras coletadas nas viagens pitorescas pelo Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pará, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, coletas em meio a britas e outros materiais de construção, em escavações de obras, em praias (Jericoacoara-CE, Pipa-RN, Icapuí-CE (figura 18), Canoa Quebrada-CE, Lagoa do Mato-CE, Baia do Sol-PA, Ariramba-PA), em rodovias através de veículo próprio ou ônibus interestadual. Assim, como não existem normas oficiais para numeração das peças do acervo e somente recomendações técnicas segundo os princípios da museologia, o McM adotou uma metodologia própria para registro e identificação conforme abaixo:

 

Para a Coleção Ciências Naturais – Geológica

 

Para a Coleção Histórica – Objetos Pessoais

 

O campo a mais na Coleção de Ciências Naturais se dá em função da subdivisão em várias minicoleções, portanto facilita a identificação e melhora o registro de entrada de novas amostras de minerais, minérios e rochas. A numeração sequencial é zerada por ocasião da mudança de ano.

 

Figura 18 – Amostra coletada na zona mosqueada de perfil laterítico com domínios de hematita (porção lilás) e de goethita aluminosa (porção ocre) coletada na praia de Ponta Grossa – Icapuí-CE.

 

Além das salas anteriormente denominadas, o McM conta ainda com espaço ao ar livre destinado à exposição de peças relativamente grandes que podem ficar expostas ao tempo, por sua própria natureza, como um orelhão (telefone público), além de outros. Há também um espaço destinado à reserva técnica, com acesso restrito, para a guarda do acervo não exposto, com finalidade de reposição.

Natureza Jurídica do McM

Por cômoda opção, a constituição do McM dar-se-á na modalidade jurídica de Coleção Particular Visitável conforme trata a Lei nº 11.904/2009 (Estatuto de Museus) e regulamentado pelo Decreto nº 8.124/2013. A denominação de “Museu Casa do Milson” se assemelha aos nomes de fantasia como a firma é registrada nos órgãos competentes. Devido o acervo se constituir de um conjunto de bens culturais e científicos conservados por uma pessoa física e ser aberto à visitação esporadicamente, não possui as características museológicas como definido no Estatuto de Museus, não sendo obrigatório o registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica-CNPJ.

Cerimonial de apresentação da Coleção Visitável – McM à sociedade aracatiense

19.07.2026, às 17:00h, na Rua Coronel Pompeu n⁰ 1481, bairro N.S. de Lourdes, Aracati-CE, são as informações necessárias para o evento.  A data revela o natalício do filho Mateus Fernandes da Silva Xavier, paraense, geólogo e servidor público do Governo do Estado do Ceará – SEMACE e grande incentivador do McM. No mesmo mês também completam idade os homenageados Dr. Ivo Xavier da Silva (04.07) e Dr. Marcondes Lima da Costa (21.07). Para aumentar a coincidência, no dia 24.07 é a vez da irmã Walmira Xavier, a quem presto minha homenagem e agradecimento pela confecção dos brindes do evento.

  

CONCLUSÃO

Além da expectativa pelo sucesso do evento de inauguração, desejo que este espaço sirva de inspiração para jovens “acumuladoresinhos” que apresentam, desde o berço, esse “pseudo transtorno”. Que a imagem da “Sala das Maravilhas” (figura 19), desperte aos pseudos psiquiatras a mudança de mentalidade no sentido de evitar frases de efeito para impor seu ponto de vista e silenciar/desmotivar os que se apegam a algum (ou alguns) objeto que marcou a sua trajetória de vida ou que possa render algum retorno financeiro em algum momento de sua vida. A rede mundial de computadores (internet) está repleta de objetos antigos postos à venda por valores exorbitantes. Programas televisivos e canais do Youtube como “Trato Feito”, “Aberto para Compra”, “Mercado Surpresa” e outros, são campeões de audiência nesse segmento.

Por outro lado, os museus são os maiores destinos dessas peças acumuladas por pessoas “transtornadas”, quando seus herdeiros querem dar fim às relíquias de seus antepassados sem valorizar ou reconhecer a sua carga histórica, emocional ou alto valor comercial. Os museus são também um local que promove a valorização da história, incentiva a educação e a cultura. É um recurso educativo que desperta emoções em pessoas de todas as idades, estimulando conhecimento, registro e memória. A museologia é uma atividade dinâmica, pois cada inovação tecnológica atual será uma relíquia em futuro próximo. Por este motivo, viver os anos de aposentadoria aliados à atividade museológica é uma forma de transe, um estado emocional intenso de exaltação, prazer, alegria, felicidade extrema, euforia, frenesi. Ao decidir e conseguir implantar o McM na “terra dos ventos” (Aracati-CE) essas emoções são aguçadas porque trago, de Belém-PA ao estado do Ceará, através de objetos memoráveis, o registro e o retorno de meus pais e irmãos nascidos no município de Russas. Por si só, este seria um grande motivo. Entretanto, quando aliado à mineralogia o significado é ainda maior.

 

Figura 19 – Gabinete de Curiosidades ou Sala das Maravilhas eram espaços que reuniam objetos de história natural, além de outros, com o objetivo de causar admiração face a raridade e estranheza dos objetos. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/ Gabinete de_curiosidades. Acesso em 23.03.2026.

 

REFERÊNCIAS

Dana, J.D; Hurlbut Jr, C.S. Manual de Mineralogia. V. 1 e 2. Ed. Universidade de São Paulo, 1969.

De Masi, Domenico.  O ócio criativo / Domenico De Masi ; entrevista a Maria Serena Palieri ; tradução de Léa Manzi. – Rio de Janeiro : Sexante, 2000 Tradução de: Ozio creativo ISBN 85-86796-45-X1. Disponível em  https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/988/o/o-c3b3cio-criativo-domenico-de-masi.pdf.  Acesso em 15.12.2023

Horta, S.  As aventuras de Marcondes no meio do Atlântico: A lição de humildade de um professor no coração de São Miguel, Açores. Rev.  Bomgeam, ano 12, n⁰ 4, 2025. DOI: https://doi.org/10.31419/ISSN.2594-942X.v122025i4a1HS . Acesso em 23.03.2026.

Wikipedia. Gabinete de curiosidades. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/ Gabinete de_curiosidades. Acesso em 23.03.2026.