Crônicas da vida… Nosso eterno Professor!

Ano 7 (2020) – Número 2 Notícias

Crônicas da vida… Nosso eterno Professor!

Eu, que sempre fui apaixonada por minerais e gemas, decidi desde muito jovem que
iria transformar essa paixão em profissão. E assim segui. Estudei, concluí o ensino médio e
em 2005, aos 17 anos de idade, ingressei na universidade, no curso de geologia. O “caminho
das pedras”, como dizem, foi árduo por muitas e muitas vezes. Mas jamais deixou de ser
maravilhoso, intenso, apaixonante, verdadeiramente fascinante… E é assim que tem sido até
hoje. Agora, quando já carrego um pouquinho de maturidade no auge dos meus 33, tenho a
certeza de que esse mundo de descobertas e aprendizado não teria sido tão valoroso sem as
contribuições do meu orientador.
Lembro-me claramente quando uma vez ele disse que o orientador é para sempre, se
referindo às experiências que teve. E de fato, hoje eu entendo o significado disso. São
caminhos que percorremos juntos muito além da jornada acadêmica, são verdadeiras
experiências de vida, onde acertamos e erramos, aprendemos e ensinamos, tanto
professores como alunos. E esse prêmio que recebemos, tem valor muito maior do que
qualquer título que se possa alcançar.
Não vou dizer que nossa convivência sempre foi pacífica e que nunca nos
desentendemos, ao contrário, confirmo que tivemos nossos conflitos como qualquer ser
humano que interage na sociedade. E o mais engraçado em tudo isso é perceber que o
combustível dos nossos choques de opinião sempre foi o fato de sermos extremamente

parecidos. Como verdadeiros baixinhos que somos, temos o “gênio forte”, somos
“opiniosos” e sempre defendemos nosso ponto de vista com firmeza antes de sermos
convencidos de qualquer coisa. Esses foram pequenos conflitos totalmente superados, mas
acontecimentos que ficaram como um aprendizado para nossas vidas, e que de certa forma
nos transformaram um pouco, nos permitiram melhorar e crescer (mesmo que nunca
possamos atingir a marca de 1,60 m de estatura)! Carregamos um respeito mútuo desde
sempre, e nada poderá abalar a admiração que tenho pelo menino do Acre que saiu de Feijó
e conquistou o mundo!
O menino do Acre cresceu e se tornou o conhecido e respeitado Professor
Marcondes! O pai do GMGA (Grupo de Mineralogia e Geoquímica Aplicada), uma verdadeira
e imensa família que multiplica o conhecimento. O pai do MUGEO (Museu de Geociências da
UFPA), que não foi o seu criador, mas quem cuidou desse espaço durante décadas e o
transformou na referência que é hoje. O pai deste BOMGEAM e de tantas outras iniciativas
científicas e culturais realizadas pelo GMGA. O pai de muitas dezenas de estudantes, dos
quais muitos se tornaram pesquisadores e seguem construindo seus próprios legados. Em
resumo, a mais fiel e clássica entre tantas crônicas da vida, a história do nosso eterno
Professor!
O ano de 2020 não tem sido fácil para ninguém. E essa histórica pandemia que
vivemos veio também para nos mostrar a importância das pessoas nas nossas vidas. No meio
dela, veio a aposentadoria do Professor Marcondes, nos tirando a chance de fazer a nossa
costumeira e volumosa confraternização, e por isso todos nós, seus “filhos” não tivemos a
oportunidade de deixar registrado o nosso MUITO OBRIGADO por tudo que nos foi
proporcionado ao longo desses anos de convivência. E assim surgiu a ideia dessa narrativa,
com o propósito de externar uma homenagem e nossos agradecimentos, com a sensação de
que nem todas as palavras do mundo seriam suficientes para dizer o quanto somos gratos e
admiramos o nosso eterno Professor!

Gisele Tavares Marques & GMGA.