11 – CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS EM GEOCIÊNCIAS NO ENSINO BÁSICO DO BRASIL.

Ano 5 (2018) - Número 1 Notícias

Rosemery da Silva Nascimento – UFPA

José Fernando Pina Assis-UFPA

 

Em 2018, de acordo com dados oficiais do IBGE, a população brasileira supera a casa dos 200 milhões, em 1970 éramos “90 milhões em ação”. O aumento da população, as transformações políticas e socioeconômicas das últimas décadas, resultaram na fragmentação do ensino básico (fundamental e médio) no país, em especial na área de geociências. O Brasil prepara mal os estudantes dos níveis da educação básica nas diversas áreas das geociências, deixando uma lacuna na formação de conteúdos que serão fundamentais para o entendimento de muitos dos temas científicos que serão abordados nos cursos de graduação das chamadas Ciências da Terra, resultando com frequência em desmotivação e evasão do curso, por parte dos estudantes.

O programa de ciências do ensino fundamental brasileiro é fragmentário e muito superficial. Está dividido segundo os tópicos ar, água e solo. As noções de geologia e geociências estão dispersas sob vários títulos no currículo, faltando-lhes uma ordenação capaz de explicar a Terra em conjunto, sua constituição, origem e evolução, fenômenos interiores e superficiais, as interações das esferas (oceanos, atmosfera, litosfera, biosfera), e as profundas e diversificadas relações entre meio físico e seres vivos.

Os conteúdos de geociências nas Diretrizes e Bases da Educação Nacional, são apresentados de modo isolado, via de regra, confusamente dispostos, e tratam apenas dos aspetos descritivos que envolvem a noção do sistema solar, planetas, satélites, etc. Ao tratar do Planeta Terra, não contextualizam seu processo evolutivo. Termos importantes como Ar, Água, Solo e Clima, que poderiam ser tratados em seus respectivos contextos cíclicos (Ciclos Atmosférico, Hidrológico, Pedológico e Climático), são abordados sem o devido ordenamento espaço-temporal, dificultando sua compreensão.

Os avanços da tecnologia e da ciência moderna, a interação homem/natureza, e a necessidade de entendê-la em sua complexidade são justificativas concretas para que a educação básica no Brasil inclua conteúdos programáticos que tratem dos mecanismos de funcionamento do planeta. Carneiro et al (2004), apontam 10 razões para inserção da cultura geológica no ensino básico brasileiro:

(1) O conteúdo de Ciências fragmentário superficial veiculado no Ensino Fundamental;

(2) A formação humanista inerente ao exercício das Ciências da Terra, que desenvolve pensamento crítico e capacidade de observação/indagação;

(3) O entendimento da complexa dinâmica do planeta que requer uma visão de conjunto do funcionamento do Sistema Terra;

(4) A geologia oferece a perspectiva temporal das mudanças que afetaram o planeta e os seres vivos ao longo do tempo;

(5) A geologia proporciona exemplos recentes sobre formação sobre causas dos riscos geológicos e suas consequências para a humanidade;

(6) A participação da geologia em descobertas modernas da ciência;

(7) A questão dos recursos disponíveis versus sustentabilidade do planeta;

(8) A preparação e orientação para estudos posteriores ou para a reflexão crítica da atividade humana;

(9) A base metodológica da geologia favorece a formação sobre variados procedimentos científicos;

(10) As geociências ajudam a formar uma perspectiva planetária.

Assim, os conteúdos de geociências na educação básica devem ser entendidos em um sentido amplo, como – Sistema Terra – com a perspectiva integradora dos conhecimentos científicos da natureza, na medida em que estimula e desenvolve diferentes qualificações e aptidões acadêmicas, entre elas: leitura abrangente e habilidades de compreensão; habilidade para escrever e capacitar os estudantes a efetivamente se comunicarem. Além disso, os números alarmantes do crescimento exponencial da população mundial e seus efeitos decorrentes (aumento da demanda por água potável e por energia para diversos fins; risco de esgotamento de alguns recursos naturais; precauções com a ocupação de espaços em regiões de risco geológico; contaminação do ar, da água, do solo), justificam uma melhor abordagem dos temas geológicos logo nos primeiros anos de escolaridade, para que os conceitos possam ser decodificados corretamente.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Carneiro, C. R., Toledo M. C. M. de & Almeida F.F.M. Dez motivos para a inclusão de temas de Geologia na Educação Básica. Revista Brasileira de Geociências 34(4):553-560, dezembro de 2004.

Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN). 1996. Lei de diretrizes e bases da Educação Nacional. Brasília: Congresso Nacional. Pub DOFC 23/12/1996, p. 027833, Col. 1, Diário Oficial da União. (Lei Darcy Ribeiro, LEI Nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996).

Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Medida Provisória nº 746, de 22 de setembro de 2016. DOU de 23/09/2016.